Pipas deixam 250 mil residências mineiras sem energia em 2018

O inverno é o período do ano mais propício para se soltar pipas – brincadeira popular entre crianças e adolescentes de todo o país – devido às características dos ventos dessa estação. Contudo, a prática deve ser acompanhada de perto pelos pais e responsáveis para não trazer riscos à segurança da população. Neste ano, até maio, essa brincadeira já foi responsável por 691 interrupções do fornecimento de energia elétrica na área de concessão da Cemig, o que prejudicou mais de 250 mil unidades consumidoras, residenciais e comerciais.

Nos primeiros cinco meses do ano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), foram registrados 316 desligamentos provocados pelo contato de pipas com a rede elétrica, prejudicando quase 130 mil consumidores. O uso do cerol – mistura cortante feita com cola, vidro e restos de materiais condutores – é um dos principais causadores dos desligamentos, pois rompem os cabos quando entram em contato com a rede elétrica. Além disso, muitos curtos-circuitos são provocados pela tentativa de retirada de papagaios presos aos cabos.

Segundo o engenheiro eletricista Demetrio Venicio Aguiar, da Cemig, alguns procedimentos devem ser adotados para que não haja risco à segurança nem ocorram interrupções no fornecimento de energia durante a brincadeira. “As pipas devem ser empinadas em locais abertos e afastados da rede elétrica. Jamais se usa fios metálicos ou cerol e, caso a pipa fique presa, não Se pode tentar resgatá-la”, orienta.

Ainda, Demetrio Venicio Aguiar alerta sobre os riscos de um tipo de cabo cortante feito em escala industrial, chamado de “linha chilena”, que, por ser um produto industrial, é mais perigoso que o cerol. Tanto o  cerol quanto a “linha chilena” podem causar acidentes graves com as pessoas que os manipulam e também ocasionar acidentes com terceiros, especialmente motociclistas.

Acidentes graves

Além dos prejuízos causados pela falta de energia, a Cemig também alerta para os riscos à segurança que as pipas podem trazer quando construídas com materiais perigosos. Segundo dados do Hospital João XXIII de Belo Horizonte, somente em 2018, aconteceram 22 atendimentos de vítimas do cerol e da linha chilena na instituição.

Demetrio Venicio Aguiar conta que a maioria dos acidentes acontece quando o papagaio fica preso na rede elétrica e as crianças tentam retirá-lo utilizando materiais condutores, como pedaços de madeira ou barras metálicas. O contato com a rede elétrica pode ser fatal, além do risco de queda em função da reação involuntária causado pelo choque elétrico.

Nesses casos, as consequências mais comuns são traumatismos, devido às quedas, e queimaduras graves por causa dos choques.

O engenheiro chama a atenção, ainda, para o fato de que o uso do cerol pode transformar uma simples linha de papagaio em um material condutor e provocar choque elétrico ao entrar em contato com a rede. Além disso, muitas crianças amarram as pipas com arames e fios. “São materiais altamente condutores de energia e que acabam sendo energizados quando tocam os cabos de energia, causando o choque elétrico”, explica Demetrio  Venicio Aguiar.

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