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Cultura

700 pessoas passam pelo VIII Encontro de Campo Universitário

VIII Encontro de Campo UniversitarioA oitava Edição do Encontro de Campo Universitário aconteceu nos últimos dias 14 e 15 de junho. Realizado no Campo Experimental “Fausto de Ávila”, do Centro Universitário do Planalto de Araxá (UNIARAXÁ), o evento promoveu o Intercâmbio Técnico entre Estudantes do Curso de Agronomia – os anfitriões – e Estudantes do Ensino Médio de Araxá; quando lhes foram apresentadas as possibilidades da área. Também, compareceram ao evento representantes de empresas do setor privado, produtores rurais e profissionais da área.

De acordo com o Professor e Coordenador do Curso de Agronomia Rafael Assis, cerca de 700 pessoas passaram pelo local e puderam visitar os stands onde palestras sobre Nutrição de Pastagem; Pimentas Nucleares; Energia Fotovoltaica; Nematoides; Agricultura 4.0; Máquinas Agrícolas; Flores; e Qualidade da Bebida do Café aconteciam. Para a realização de um evento desse porte, a preparação dos estudantes foi iniciada meses antes, com o plantio do experimento; confecção da apresentação; treinamentos para uma correta apresentação; postura; e, trato com os convidados.

Além da troca de experiências entre os visitantes e os alunos do Curso de Agronomia, o Encontro, ainda, consiste em uma oportunidade de alargar a rede de contatos; aumentar competências, no que diz respeito à organização e ao trabalho em grupo. Uma Equipe do UNIARAXÁ esteve a postos, no primeiro dia do evento, a fim de conversar com os alunos do Ensino Médio sobre o passo que darão em suas vidas de estudantes, ao escolherem uma Graduação e uma Universidade.

Emoção tomou conta do penúltimo dia de Fliaraxá

Visita Zema PH Daniel Bianchini.jpegO governador Romeu Zema visitou o Fliaraxá na tarde do sábado (22) e saiu do evento encantado com o que presenciou. Ele passou cerca de duas horas percorrendo o festival e era visível o quanto se surpreendeu. “Acompanho desde o início e para mim, que sou araxaense, seria difícil imaginar que este festival pudesse crescer o tanto que cresceu. Principalmente, pelo que tenho escutado, em termos de prestígio e de impacto. Vou fazer de tudo, durante o meu governo, para que possa crescer ainda mais”, completou.

Durante a visita, Romeu Zema conheceu a família da estudante Ariana Emanuelly Martins dos Santos da Silva, uma das vencedoras do concurso de Redação Maria Amália Dumont. Em seguida, visitou o Caminhão Museu da UFMG, acompanhado da professora e curadora do Fliaraxá, Heloisa Starling, e também o Espaço CBMM.

O governador também fez questão de conhecer as duas livrarias. Passou pela Nobel, que é de Araxá e também pela Blooks. Romeu Zema conheceu os escritores Marina Colasanti e Ignácio de Loyola Brandão.

Um dos destaques do penúltimo dia do evento, foi a mesa realizada na tarde deste sábado (22), com o secretário de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Marcelo Matte, a gestora cultural Marta Porto, e o jornalista Marco Antônio Lage.  “Estou muito impressionado com o volume de pessoas, com a diversidade da oferta, tem desde jazz ao vivo até vinho, foodtrucks, palestras, autógrafos, escritores extremamente relevantes do Brasil e do exterior. Enfim, muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. É um festival espetacular, melhor e maior do Brasil, e merece todo o apoio para continuar existindo”, resumiu o secretário de Cultura, Marcelo Matte.

Ele também acompanhou a entrega do Prêmio de Redação e se emocionou bastante. “Não resisti ao ver uma menininha de 9 anos, que mora na área rural de Araxá, ganhar um prêmio em dinheiro pelo primeiro lugar no Concurso de Redação. Foi extremamente emocionante. Ela é uma menina pobre e contou na redação que nunca saiu do lugar onde nasceu, uma fazenda aqui da região, mas que ela viajava através dos livros que lê”, falou Marcelo. A menina é Ariana Emanuelly Martins dos Santos. Com a redação “Ler, viver e imaginar”, foi a vencedora do Prêmio na categoria onde concorrem crianças de 9 a 11 anos.

Prêmio de redação

Neste sábado (22/6), aconteceu a entrega do Prêmio de Redação Fliaraxá Maria Amália Dumont, um concurso entre as escolas de ensino médio e fundamental do município, públicas e particulares.

No palco, Tauane Pereira Silva não segurou as lágrimas. Ela foi a vencedora da categoria de 15 a 18 anos. Tauane tem 17 anos e é estudante do terceiro ano do ensino médio na Escola Estadual Vasco Santos. Na redação “Sem fronteiras”, escreveu que os livros são um mundo com mundos dentro.

Já na categoria de 12 a 14 anos, o vencedor foi Paulo Fernando Borges Fagundes, de 14 anos. Ele é estudante do 9º ano da Escola Estadual Antônio Corrêa de Oliveira. Escreveu a redação “Nosso mar de surpresas”. No texto, Paulo citou Dom Quixote de La Mancha e comparou a imaginação a águas de um rio.

Ariana Emanuelly Martins dos Santos da Silva foi a pequena grande vencedora da categoria 9 a 11 anos. A redação “Ler, viver e imaginar” encantou a todos com a sinceridade da menina, que se compara a Alice e que sonha em conhecer o País das Maravilhas.

Os primeiros lugares receberam o troféu e o prêmio no valor de R$ 1 mil reais, os segundos R$ 700 e, dos terceiros ao quintos, um certificado de participação. O Prêmio de Redação Fliaraxá Maria Amália Dumont é promovido anualmente pelo Fliaraxá. É feito entre as escolas de ensino médio fundamental do município. O objetivo é estimular a escrita, revelar talentos e incentivar a formação de novos leitores.

 

Confira abaixo a programação geral de domingo (23/06), último dia do Festival:

10h – Roda de Mulheres – Violência contra a mulher e micro-machismos – Ana Elisa Xavier, Celeste Moura, Melina Costa Veríssimo e Juliana Rage.  LOCAL

10h – Mostra de Cinema Filme: A Missa do Galo   CAMINHAO

11h – Conto e reconto: tradição e invenção – Marina Colasanti, Marco Haurélio e Leo Cunha – Cine Teatro Tiradentes         INFANTO

11h – Escola Vivace   MUSICAL

11h30 – Gastronomia mineira, patrimônio do Brasil – Steven Byrd e Mauro Manigilia (presidente do Clube da Cozinha) – Mediação Celso Alexandre       LOCAL

12h – Histórias com Fê Liz – Coreto INFANTO

13h – Desvendando o coach literário – Jovandir Batista e Katia Paiva – Mediador Paulo Martins.        LOCAL

13h – Sarau do Tamanduel  – Salatiel Silva e Grupo Fratelo – Palco Externo      INFANTO

13h – Sarau Tamanduel        MUSICAL

14h – Mostra de Cinema Filme: Quincas Borba      CAMINHAO

14h – Rumos da narrativa brasileira – Alice Ruiz e Marco Lucchesi         ADULTA

14h30 – Histórias com Lucrécia Leite – Coreto       INFANTO

15h30 – Batalha de MCs – Cultura na quadra         MUSICAL

15h30 – Novas e velhas linguagens – Cris Guerra, Aline Bei e Antônio Torres ADULTA

17h – Trio Murupi – FESTA JUNINA DE ENCERRAMENTO  MUSICAL

De ‘termas’ em ‘termas’, Agualusa chega ao Fliaraxá

Jose Eduardo Agualusa - CEMIG - Ph Daniel Bianchini (3)José Eduardo Agualusa e o Fliaraxá são conhecidos de muito tempo. O escritor angolano participou da primeira edição do Festival, em 2012, quando o projeto ainda engatinhava pra crescer e se tornar um dos principais do gênero no país. De lá pra cá, Agualusa rodou o mundo, lançou mais livros e… parou num hotel termas em Portugal para participar, na semana passada, também de um evento literário.

“É uma coincidência extraordinária porque no mundo inteiro devem haver apenas dois festivais de literatura em hotéis de termas e eu saí de um para vir parar em outro”, brinca o autor de “Teoria do Esquecimento” (2012) e “A Sociedade dos Sonhadores Involuntários” (2017), destacando que um dos diferencias do Fliaraxá é hoje ser realizado dentro de um hotel com estas características.
Entre um descanso e outro nas dependências no Grande Hotel Araxá, Agualusa terá uma agenda frenética durante o Festival. Esteve presente na abertura na quarta-feira. Na quinta, às 20h, participa da mesa “Democracia: Realidade e Ficção”, com Sérgio Abranches e Heloisa Starling. Na sexta (21), às 18h30, vai dividir suas experiências com Cristovão Tezza e o amigo Valter Hugo Mãe no debate “Ficção em África, Brasil e Portugal”. E no sábado (22), às 18h30, encontra-se com Conceição Evaristo e Leila Ferreira para discutir um tema que poderia ser título de um dos seus livros: “Escrever o Sentimento do Mundo”.
No vai e vem do Festival, José Eduardo Agualusa teve um tempinho pra conversar com o site sobre democracia, formação de público e, claro, literatura e imaginação. Leia a entrevista abaixo:
Você tem sonhado muito com a democracia? Como ela está no seu sonho. E como ela está quando você acorda?
Acho que há um recuo. A humanidade avança e neste avanço há pequenos recuos, sempre. Há refluxos de avanços. Estamos no momento de refluxo a nível global, quer dizer que houve um avanço grande de forças totalitárias, mas eu não creio que seja pra ficar. E acho que há avanços que foram conseguidos que já não há recuo para eles. Por exemplo, a questão da mulher, dos direitos dos homossexuais. Acho que embora existam forças conservadoras e arcaicas, não será possível recuar, já não iremos recuar. E também acho que é passageiro. No dia em que o Trump perder as eleições, e vai perder agora, muitos destes movimentos vão se esvaziar, não creio que tenham força real.
Como você avalia a evolução do Fliaraxá, já que esteve na primeira edição, há quase 10 anos?
É tudo diferente. Tem mais autores novos, é muito maior, o festival foi crescendo, virou uma tradição e está trazendo mais público. Nota-se que o público está mais sofisticado também. Estes festivais vão educando as pessoas. Muitas vezes, talvez, as pessoas não tinham o costume de ler, e elas começam a ler e a conhecer os autores e ter proximidade com eles. Então, há todo um movimento de sofisticação da própria sociedade, das próprias comunidades onde acontecem os festivais.
Qual o lugar da leitura no nosso imaginário? De que modo habitamos o mundo por intermédio da leitura?
Pra mim, ler são muitas coisas, mas sobretudo um exercício de alteridade, no sentido de que quando você lê um livro de ficção você está a se colocar-se no lugar do outro e, neste sentido, ler fortalece o nosso músculo da empatia e torna-nos mais empáticos, torna-nos mais próximos um do outro. Neste sentido, eu acredito que ler ficção melhora as pessoas.

Cortou a fita não tem volta: vem que começou o Fliaraxá

FliAraxaEntre tantos escritores e personalidades, o destaque do pontapé inicial da oitava edição do Fliaraxá foi a pequena Manuela Borges, de 9 anos. Foi ela a responsável por cortar a fita vermelha na noite desta quarta-feira (19) e abrir oficialmente o Festival. Claro que, na falta de trejeito com a tesoura, teve a ajuda de nada mais nada menos do que Valter Hugo Mãe, um dos mais prestigiados escritores da atualidade, e Danilo Santos de Miranda, o respeitado diretor do Sesc-SP.

Guiados pelo cortejo do Congado – Moçambique Verde e Branco de Araxá, o público foi conduzido para dentro deste pequeno mundo da literatura, da leitura e da imaginação em que se transformou as dependências externas do Tauá Grande Hotel. Do charmoso coreto, Afonso Borges, criador e curador do Festival, apresentou a estrutura que inclui área de gastronomia, bibliotecas, feirinhas, lojinha oficial, caminhão museu da UFMG e palco para shows e apresentações. Depois, todos os presentes foram convidados a entrar no auditório do Cine Tiradentes.

NOVA GERAÇÃO, DEMOCRACIA E O FLIARAXÁ
Manu, simbolicamente, representa a nova geração de leitores que o Fliaraxá tem consolidado ao longo de quase uma década. São jovens, crianças e adultos que hoje têm um pouco mais de acesso à leitura em Araxá e região por meio de iniciativas que o Festival promove nas escolas e pela gratuidade integral da sua programação.

O pilar de sustentação que permite que o Festival saia fortalecido a cada edição é o apoio, principalmente, da CBMM. O Gerente de Engenharia da empresa, Leornardo da Rocha e Silva, fez questão de estar presente na abertura. “O Fliaraxá contribui para a preparação de novas gerações, oxigenando novas perspectivas para a construção de um mundo melhor”, destacou.

Valter Hugo Mãe pegou na veia. Foi breve, mas objetivo: “A democracia acontece quando entregamos informação, instrução, educação a todas as pessoas de maneira que elas potencializem toda a sua capacidade. Isso se pode chamar de igualdade. Estes festivais representam isso, um exercício de democracia. Que este seja um encontro, um diálogo que conduza todos à paz”, desejou à plateia.

HOMENAGENS
Outro apoio importante vem da Prefeitura de Araxá. O representante do poder executivo local, Geraldo Lima Junior (Secretário de Desenvolvimento Econômico), também fez questão de comparecer ao local que para ele é “onde se aflora a cultura, a arte, o turismo e viés econômico da cidade”

A presidenta da Academia Araxaense de Letras, Cátia Lemos, fez uma homenagem à patrona local do Festival, a escritora Maria Santos Teixeira (in memorian).

E o deputado estadual Bosco, presidente da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, entregou uma moção com votos de congratulação, aprovada pela Comissão, ao fundador do Fliaraxá. “A cidade agradece ao Festival, que trouxe cultura educação e impulsionou a economia local. Parabéns Afonso, parabéns a todos os envolvidos”, finalizou.